terça-feira, 24 de novembro de 2020

Sobre o ano que está acabando...

Hoje me deparei com algumas questões num blog que gosto muito. Gosto de pensar e responder sobre as coisas, mas gosto de passar pro papel ou digitar. Assim penso com mais calma e organizo melhor minhas ideias.





Esse ano está sendo um ano totalmente atípico. A pandemia chegou e afetou nossas vidas de uma forma inimaginável a ponto de estranharmos quando vemos alguém sem máscara.  Claro que uma coisa dessa dimensão afeta todas as esferas da nossa vida, mas também tiramos muitos aprendizados...

 Ficou claro como definitivamente não temos o controle de absolutamente nada. Ninguém. Assim como ficou perceptível a nossa capacidade de se adaptar e se reinventar. Não de uma forma tranquila, claro, mas houve adaptação. Eu que sofro há anos com ansiedade, lidei com o "ainda não". Ainda não temos uma cura nem uma vacina. As escolas ainda não funcionarão. Ainda não podemos sair sem máscara. Lidando com o talvez: talvez eu tenha que trancar a faculdade, talvez eu perca o emprego, talvez eu não tenha quem me ajude com meus filhos e precise largar tudo para cuidar deles, talvez alguém muito querido possa ser afetado por essa doença.

É muito difícil.

Mas a gente aprende que pode fazer nossa parte e que isso já ajuda muito. Que várias coisas temos que simplesmente aceitar enquanto a mudança não vem, enquanto trabalhamos para que ela venha.

Aprendi que as coisas podem mudar num piscar de olhos: num dia seu marido tá bem, no outro é diagnosticado com um cancer e tem que fazer uma cirurgia de emergencia. No meio de uma pandemia. 

A gente aprende a ter fé e principalmente a ser grato. Pela família, pelas pessoas, por ter acordado, por terminar um dia sabendo que todo mundo está bem na medida do possível. 

Resiliencia acredito que seja a palavra chave para esse ano. 

A melhor coisa que me aconteceu em 2020, foi a oportunidade de trabalhar e voltar para a faculdade. Pude lidar de frente com minha ansiedade e depressão e muitas coisas que essas doenças sussurravam constantemente em minha mente, caíram por terra. Conheci muitassss pessoas, fiz amizades, um mundo novo se abriu. Com isso tive outros sonhos, projetos, alguns medos foram embora e deram lugar a vontade de conquistas outras coisas.

 A pior coisa que me aconteceu, por incrível que pareça, foi minha sogra ter falado que nao ficaria mais com meus filhos porque eles não obedeciam e depois descobrir que nao aconteceu nada, ninguém tinha desobedecido. Foi um surto que ela teve de impaciencia e descontou nas crianças. Isso me doeu bastante.

Os desafios enfrentados esses anos foram vários: começar a estagiar sem experiencia nenhuma, lidar com jornada quádrupla (familia, casa, trabalho e estudos), deixar as crianças com outras pessoas (não gosto disso de jeito nenhum) e com certeza o diagnóstico do Felipe. Apesar de ter fé e saber que as coisas seriam como Deus quisesse e que Ele estava (e está) a frente de tudo, foi um desafio enorme entre continuar com a rotina sabendo que uma pessoa tao importante na sua vida, está lidando com algo tao sério e temido. Mas graças a Deus tudo correu bem.

Minha carreira profissional está no início. No momento estagiária, fazendo pouco serviço relacionado a psicologia em si, porém vira e mexe tem algo da área que aprendo e isso é muito legal. Acredito que o de mais valioso que vou levar daqui, além da experiencia e futuros colegas de profissão, é o networking. 

Minha saúde não está lá grande coisa, pois sinto muitas dores nas costas, refluxo, escoliose e excesso de peso, porém a saúde mental deu uma bela melhorada <3

Meus estudos estão otimos, tenho conseguido tirar boas notas, os assuntos me interessam e tenho ficado apaixonada por determinadas áreas/autores. São assuntos complexos e me sinto desafiada constantemente, porém tenho gostado.

Meu equilíbrio emocional nao está 100%, mas definitivamente muuuito melhor que ano passado. Porém preciso de mais calma, mais autoconfiança e firmeza.

Meu legado ainda tem que ser trabalhado, pois o que quero deixar para os meus filhos é que saibam que devemos enfrentar as coisas (e é o que venho fazendo esse ano), saberem que trabalhar/estudar é bom e acrescenta muito em nossa vida e a sensação de amor próprio. Preciso trabalhar muuuuuuuito isso. 

Minhas finanças não estão boasss. Super apertada, várias coisas faltando em casa e sempre o aperto. Gostaria de mais tranquilidade.

Acredito que nao contribuo com o mundo atualmente, só bemmm superficialmente. Porém nao vejo formas de contribuir ja que nao disponho de dinheiro nem de tempo. Fico pensando depois que me formar, que poderei fazer mais coisas, tanto ajudar financeiramente quanto doar meu tempo em algum projeto voluntário.

Minha família também pode estar melhor. As crianças estão brigando muito, mas ao mesmo tempo brincam também. Meu marido tem brigado bastante com eles (e eu tbm) e isso me deixa triste. Falta harmonia na família como um todo, sabe? Na minha, na dele e na nossa.

Meu relacionamento amoroso está distante. Acredito que entramos numa fase em que somos mais amigos. Pode ser pela correria, pelas obrigações do dia a dia, não sei. Mas é algo que preciso pensar e trabalhar nisso. Ele não fala nada, nao reclama. Nos tratamos bem, com respeito, educação, mas as vezes fico mal comigo mesma por descontar minhas frustrações nele.

Meus relacionamentos de modo geral estão bem. Sem atritos, bem de boa :)

Minha espiritualidade está parada. Ontem conversei com Deus e nao sei, sinto que Ele ouviu, mas me sinto muito distante. Meio cega/surda. Já estive mais próxima e sinto saudades disso. Não sei direito como trabalhar sem soar artificial. Ainda sinto muito medo e nao acho que esse seja o caminho para uma relação, seja ela qual for.

Tenho tido poucos momentos de lazer, muito menos hobbies. Quero voltar a assistir minhas séries nessas férias e voltar a dançar.

Não acredito na felicidade como algo permanente, então não, nao sou feliz.Acredito nela como um estado e também nao me sinto feliz, apenas estou bem! ♥

Dar conta das coisas, pensando em como conciliar, a culpa de deixar as crianças em casa e sair depois de tantos anos e a preocupação com o casamento me trouxeram um barulho mental gigantesco.

Momentos memoráveis de 2020: Desfralde total do Miguel ♥, falas inteligentes da Helo, exames do Fe dando tudo normal em poucos dias pós cirurgia, as meninas da faculdade cantando parabéns para mim na praça de alimentação do Shopping e na Aula de Anatomia xD e meu primeiro dia no trabalho.

Não implementei nem retirei nenhum hábito esse ano...

O que mais tenho orgulho de ter feito esse ano, foi ter topado trabalhar e estudar de supetão. De encarar duas coisas grandes, sabendo do meu estado mental na época e do quanto duvidava de mim e ter ido com a cara e a coragem e ter permanecido até agora. Parabéns para mim <3

Eu vivi atrás de meus valores pessoais, porque a independencia é uma coisa que sempre gostei, quase como algo inato e nao sei porque deixei adormecido, deixei para trás por tanto tempo.

A melhor decisão que tomei foi a de aceitar a proposta da minha chefe. Mesmo que tenha que parar por qualquer motivo, eu sempre ficarei orgulhosa de mim por ter topado algo inédito. Fui muito corajosa <3

A minha versão com a do ano anterior, é com certeza uma pessoa mais em paz e confiante em si mesma (mesmo tendo um longo caminho a trilhar nessa questão), mas definitivamente estou muito melhor.

Falhei este ano em nao elaborar e praticar atividades com meus filhos, porém está sendo melhor que ano passado.Então penso que ainda nao tenha atingido o ideal que imaginei, estou melhor do que estava. O processo importa ♥

Mudei de ideia em relação a julgamentos, principalmente  sobre pessoas que traem. Talvez pelo conteúdo aprendido na faculdade, me fez ver as coisas de maneira muito mais flexível.

Se eu pudesse ter feito algo diferente, com certeza seria ser mais amorosa e paciente. 

Se eu pudesse me dar um conselho ano passado, diria: Levanta da cama e age. Pouco ou muito, mas faça. Mesmo que ache que nao vá ter diferença nenhuma, faça! Sempre lembre dos seus filhos como o que vc tem de mais valioso ♥

domingo, 7 de junho de 2020

Quando é necessário aceitar...

A correria dos dias, a rapidez dos anos e as imensas obrigações que temos nos distraem de nós mesmos. Acredito que às vezes gostamos das listas imensas de tarefas, das obrigações umas emendadas nas outras onde quase não há tempo pra respirar, e ao final do dia, só resta dormir, apagar, porque amanhã tem mais.

Não há tempo pra pensar nos problemas. No que incomoda. No que dói. No que nunca saiu da memória.


Sou bemm falante, adoro tagarelar. Não acho que seja algo ruim porque não acredito que haja um padrão de comportamento que devamos seguir roboticamente. Cada um é de um jeito (ainda bem, né?). Porém, sabemos que há um preço para tudo. Sempre há um bônus e um ônus.
Vou falar do ônus de falar demais (no meu caso).

É reclamar demais. Falar o desnecessário. Não ponderar, pensar e aceitar que muitas vezes é muito melhor simplesmente calar. Quando falamos demais, nos prejudicamos sem ajuda de ninguém. Só por nossa conta mesmo.

Se o tempo que eu passei reclamando tivesse buscado soluções para os meus problemas, NOSSA, nem sei como estaria hoje.

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Ao mesmo tempo que tenho vontade de gritar comigo por tantos erros, tenho vontade de sentar de frente pra mim mesma e conversar, sabe? Porque ao mesmo tempo que eu me prejudiquei tantas vezes, ao mesmo tempo em que tomei tantas decisões erradas, só eu sei o que me levou aquilo. Como eu estava me sentindo, o que se passava na minha cabeça e no meu coração...


Como ser melhor amigo de si mesmo?

Aceito meus erros. Meus desvios. Falhas. Ausências. Até mesmo negligência.
Com dor, mas aceito.

Agora quero tirar um tempo pra dar outro significado para tudo. Não sumir, nem nada dessas coisas, apenas pensar. Mas nao demais, porque quando penso demais, tudo começa a complicar.

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Já são quase 3 da manhã. Preciso ir. Uma noite de sono me espera. Amanhã será um dia cheio e eu só espero que eu me sinta melhor do que estou me sentindo hoje.

Até mais ver...


quarta-feira, 6 de maio de 2020

Após 1 ano, 1 mês e alguns dias... voltei.

Resolvi voltar. Eu adoro registrar, acho terapêutico colocar tudo pra fora de alguma forma. Tantas coisas aconteceram nesse tempo e outras tantas continuam iguais. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, a nível particular e mundial. 

Enquanto estamos nesse isolamento social, estou tentando colocar algumas coisas em ordem. Procuro me informar todos os dias, tomar os cuidados necessários, falar sempre com a família, mas tentando não entrar desespero porque isso não ajudaria em absolutamente nada. 

A verdade é que minha mente está um caos. Há anos. Se não procurar exercer o mínimo de controle, as coisas podem piorar demais. 

Tenho procurado (reaprender) a respirar. Me descobrir como mulher - porque não descobri ainda -, como mãe, esposa e tantos outros papéis que exerço.



Parece que os momentos em que mais tenho clareza para pensar em algo, acontecem na madrugada. 
Acredito que seja por causa do silêncio. Estar sozinha na sala, a meia luz, nesse friozinho gostoso que está agora, só ouvindo o vento lá fora... 

Bom, preciso ir descansar.
Amanhã (ou mais tarde, já que já passou de meia noite) tem aula, rotina em casa, lição de casa das crianças, home-office etc.

Quero vir aqui regularmente, acompanhar alguns blogs que gosto, registrar minhas experiências, minha jornada de autoconhecimento e coisas que gosto...

Por hoje é só.
:*


domingo, 24 de março de 2019

"Voltei"...

É... não sei há quanto tempo exatamente estou sem postar. Acho que quase uns 4 anos. Tranquei meu antigo blog, deixei como privado. Tenho um carinho grande por ele. Foi lá que registrei o desenvolvimento dos meus filhos, guardei memórias. Sempre que resolvo dar uma olhada, consigo dar um sorriso por ler coisas simples e ao mesmo tempo marcantes, que ás vezes me escapam da memória.
Os últimos posts foram sombrios. Parei por lá.
E quero recomeçar por aqui.

Por mais que a onda de blogs pareça ter ido embora, eu quero fazer pra mim. Por mim. Preciso desabafar. Preciso por pra fora tudo que está aqui dentro.

Faz uns anos que minha vida veio mudando de uma forma que não percebi. Não notei. Nem quem estava a minha volta viu. Só agora, consciente do meu estado atual, quando olho pra trás consigo ver os sinais que estavam debaixo do meu nariz e do meu marido, mas não vimos.

Hoje me encontro com transtorno de ansiedade generalizada num nível médio e uma depressão moderada. Diagnosticados por psicólogos e psiquiatra.

Me sinto triste. Me sinto preocupada.
Definitivamente não era o que eu esperava, não era o que eu queria pra mim (quem quer, né?).

Triste por saber o quanto dói - interna e externamente - isso. Preocupada se vou melhorar. Preocupada com meus filhos que ainda são crianças e como serão afetados por isso.
Culpada por passar o fim de semana inteiro deitada na cama.

O lema é sobreviver um dia de cada vez. Guardar alguns sonhos na gaveta e por agora, lidar/resistir aos efeitos colaterais dos remédios tarja preta que tanto relutei em tomar.
A gente sabe quando chega ou passa do nosso limite e tem que dar o braço a torcer quando necessário, por isso mesmo, NECESSIDADE.

Só sei que me quero de volta. Não sei onde exatamente me perdi, mas preciso me reencontrar. De todos os projetos que tinha pra esse ano, me (re)encontrar será o principal.
Recuperar minha saúde mental.

Sei que vai ser difícil, que não será rápido e provavelmente doloroso, mas a outra opção é desistir.
E por mais que tivesse considerado isso há alguns meses, no momento não considero mais.

Sigamos. Um dia de cada vez. Que Deus me guie, me ajude, me escute e me reerga, porque sozinha definitivamente eu não posso.



Sobre o ano que está acabando...

Hoje me deparei com algumas questões num blog que gosto muito. Gosto de pensar e responder sobre as coisas, mas gosto de passar pro papel ou...